Não é de hoje que a Diretoria da Rede GTB acompanha as oscilações do GNV no Rio de Janeiro, combustível que durante anos foi sinônimo de economia para quem rodava muitos quilômetros por dia. O estado chegou a reunir uma das maiores frotas convertidas do país, com taxistas, motoristas de aplicativo e frotistas atraídos pelo custo por quilômetro bem abaixo da gasolina. O cenário recente, contudo, é de retração. Convertedoras fecham as portas, o preço de revenda do gás se aproxima dos concorrentes e o motorista carioca volta a olhar com atenção para o etanol e, mais recentemente, para os modelos elétricos.
Como o GNV conquistou as ruas do Rio de Janeiro?
A expansão do gás natural veicular no estado ganhou força a partir dos anos 1990 e se acelerou na década seguinte, com a ampliação da rede de distribuição canalizada na região metropolitana. Para o consumidor, a lógica era simples. O investimento no kit de conversão se pagava em poucos meses, sobretudo para quem utilizava o carro como ferramenta de trabalho. Oficinas especializadas se multiplicaram, e o cilindro no porta-malas passou a fazer parte da rotina de milhares de veículos que circulavam pela capital e pela Baixada Fluminense.
Os postos precisaram se adaptar a uma estrutura bem diferente da exigida pelos combustíveis líquidos, com compressores, equipamentos de abastecimento específicos e normas técnicas próprias. O aumento da procura levou a Rede GTB a ampliar a venda do produto em suas unidades até figurar entre as maiores revendedoras de GNV do estado, apostando em uma demanda que parecia não ter teto. A oferta de gás tornou-se, então, critério de escolha para boa parte dos motoristas, que planejavam seus trajetos de acordo com os postos que dispunham do combustível.

Custos e desconfiança esvaziaram as convertedoras
O primeiro golpe veio do bolso. A conversão de um veículo, que inclui kit, cilindro e instalação homologada, passou a exigir um investimento mais alto, enquanto a diferença de preço entre o gás e os combustíveis líquidos encolheu. Somado a isso, o motorista precisa arcar com a inspeção periódica obrigatória para veículos convertidos, além de conviver com a perda de espaço no porta-malas e com a queda de desempenho do motor. Com a conta menos vantajosa, as convertedoras perderam clientela, e muitas encerraram as atividades nos últimos anos.
Pesa ainda a ausência de incentivos consistentes por parte do poder público e da concessionária responsável pela distribuição do gás, medidas que poderiam tornar o combustível novamente competitivo. A percepção de risco também afastou parte do público, alimentada por relatos de instalações irregulares feitas fora de oficinas credenciadas. Nesse ponto, a confiabilidade deixa de ser detalhe técnico e passa a pesar na decisão de compra, valorizando o abastecimento em estruturas certificadas, como a operação conduzida pela Rede GTB, em que zelo com os equipamentos, bom atendimento e preço competitivo caminham juntos.
O que resta ao gás natural na matriz carioca?
Com mais de 40 anos de mercado, a Rede GTB atravessou trocas de moeda, mudanças de governo e a chegada de novos combustíveis, trajetória que ajuda a dimensionar o momento atual como mais um ciclo de reorganização. O etanol ganhou espaço entre os carros de passeio com a popularização dos motores flex, e os veículos elétricos começam a aparecer com mais frequência nas ruas da capital. Ainda assim, o gás natural preserva vantagens em nichos específicos, como frotas de alta quilometragem e motoristas que já possuem o kit instalado e amortizado.
O futuro do GNV no Rio de Janeiro depende menos da lembrança de seu auge e mais de uma revisão de preço, incentivo e confiança. Uma política tarifária capaz de devolver competitividade ao gás, somada à fiscalização rigorosa das instalações, poderia reaproximar o consumidor que migrou para outras alternativas. Até lá, o combustível tende a ocupar uma fatia menor, porém estável, da matriz carioca, enquanto a Rede GTB segue oferecendo o produto a quem ainda depende dele, com a mesma atenção à segurança que acompanhou sua expansão.

