Atualmente, o sorgo experimenta seu momento mais favorável no Brasil. De acordo com Wander Aguilera Almeida, um empresário presente no mercado de grãos, o sorgo atualmente ocupa um papel de destaque nas negociações, deixando de ser visto apenas como uma opção de emergência em relação ao milho. A combinação entre resistência à seca e novos compradores alterou a participação do cereal no planejamento da safra.
A produção brasileira de sorgo na safra 2025/2026 foi estimada em 7,6 milhões de toneladas, alta de 24,9% sobre o ciclo anterior, segundo levantamento da Conab. A área semeada chegou a 2,2 milhões de hectares, avanço de 31,8% e a sétima safra consecutiva de expansão. O crescimento acontece em um momento em que o clima e a demanda industrial pesam na escolha do produtor. O crescimento acontece em um momento em que o clima e a demanda industrial pesam cada vez mais nas escolhas do produtor.
Ao longo deste artigo, entenda por que o sorgo avança, quem está comprando o cereal e o que essa expansão muda para a comercialização de grãos.
Por que o sorgo avança na segunda safra?
O sorgo é semeado quase integralmente na segunda safra, logo após a colheita da soja. A característica mais significativa é a sua tolerância ao estresse hídrico e a temperaturas elevadas, o que permite o seu cultivo em janelas mais tardias e em regiões de maior risco climático para o milho.
Em anos de clima irregular, a característica é mais relevante. Com o atraso no plantio da soja, como na safra 2026/27 no Centro-Oeste devido ao El Niño, a colheita da oleaginosa é atrasada e a janela para o milho safrinha é encurtada. Nesse contexto, o sorgo surge como opção de menor risco.
O avanço vem com um alerta: a produtividade do sorgo recuou 5,3% na safra 2025/26, indicando expansão para áreas e janelas mais desafiadoras. Ao analisar tal movimento, Wander Aguilera Almeida destaca que a decisão de plantar sorgo deve considerar não apenas o risco climático, mas também a existência de compradores e as condições de venda na região.
Quem está comprando o sorgo brasileiro?
A demanda é o fator que transformou o sorgo de cultura secundária em aposta estratégica. Diferentes setores passaram a disputar o cereal, ampliando a liquidez de um mercado que antes tinha poucas opções de venda:
- Usinas de etanol: indústrias de etanol de cereais em estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão utilizam sorgo como matéria-prima, em processo semelhante ao do milho. Há até projetos dedicados exclusivamente ao sorgo, como o de Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano.
- Nutrição animal: a pecuária de corte e de leite e as fábricas de ração usam o grão como substituto parcial do milho, especialmente variedades de baixo tanino, de maior digestibilidade. A conexão com os confinamentos aproxima o sorgo do comportamento do preço da arroba.
- Silagem e cobertura de solo: além do grão, a planta é usada para alimentação animal na forma de silagem e como cobertura vegetal em sistemas de rotação, o que amplia seu valor dentro da propriedade.
- Possível mercado externo: analistas de mercado apontam a China, grande importadora de sorgo, como potencial destino futuro para o cereal brasileiro, o que dependeria de organização da cadeia exportadora.

A presença das usinas influenciou o mercado do sorgo, fazendo com que muitas negociações passassem a seguir a mesma lógica comercial do milho, com referências de preço mais claras. Já Wander Aguilera Almeida, que acompanha tanto as safras de grãos quanto o preço da arroba, aponta que a ligação do sorgo com a indústria e com a pecuária ajuda a explicar a maior estabilidade da demanda pelo cereal.
O que muda para a comercialização?
A expansão do sorgo amplia as opções do produtor na segunda safra, mas exige planejamento comercial antes do plantio. Em regiões sem compradores estruturados, o cereal pode ter preço descontado em relação ao milho e encontrar dificuldades de escoamento, o que reduz a vantagem agronômica da cultura.
Por isso, contratos firmados antecipadamente com usinas ou indústrias de ração ganham importância. Eles dão previsibilidade de venda e de preço, mas exigem cuidado com o volume comprometido, especialmente em anos de clima incerto. Na avaliação de Wander Aguilera Almeida, conhecer o destino do grão antes de semeá-lo é o que transforma o sorgo de alternativa emergencial em estratégia de produção.
A concentração regional também merece atenção. Como cerca de metade da produção está no Centro-Oeste, a dinâmica de preços pode variar bastante entre estados, a depender da proximidade das indústrias e da oferta de milho na mesma região.
Uma cultura em expansão estrutural
O sorgo consolidou sua posição como um cultivo de segunda safra no Brasil, impulsionado por sua resistência climática e pela demanda das usinas de etanol e nutrição animal. Nos bastidores do agronegócio, o cereal tem sido parte integrante das negociações, acompanhando a diversificação da safra, segundo informações prestadas pelo empresário Wander Aguilera Almeida.
Para o produtor, a cultura oferece uma ferramenta de gestão de risco em anos de janela curta, desde que a decisão de plantio esteja alinhada à existência de mercado e às condições de venda na região.
Ao estabelecer conexões entre produtores e compradores, Wander Aguilera Almeida observa como o sorgo amplia as opções da segunda safra, auxiliando o produtor a tomar as decisões mais acertadas para cada momento em um cenário de clima mais instável e demanda industrial em expansão.

