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    Resíduos sólidos urbanos e o desafio da gestão municipal no brasil

    Diego VelázquezPor Diego Velázquezjunho 9, 2026Nenhum comentário4 Mins de leitura
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    Marcello José Abbud
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    No cenário atual, Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais, acompanha de perto uma das questões mais urgentes do saneamento brasileiro: o que fazer com o volume crescente de resíduos sólidos urbanos produzidos diariamente nos municípios do país. A geração de lixo cresce em ritmo acelerado, mas a infraestrutura de coleta, triagem e destinação final ainda opera com limitações estruturais que comprometem tanto a saúde pública quanto o meio ambiente.

    O Brasil produz mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, segundo estimativas do setor ambiental. Parte significativa desse volume ainda vai parar em lixões a céu aberto ou aterros controlados operados fora das exigências legais, mesmo após a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010. Para Marcello José Abbud, o intervalo entre o que a lei determina e o que os municípios conseguem executar revela um problema de gestão que vai além da ausência de recursos: trata-se, em grande parte, de um déficit de soluções tecnológicas acessíveis e escaláveis.

    O que a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina e o que ainda falta?

    A Lei 12.305/2010 estabeleceu a hierarquia de prioridades para o tratamento de resíduos: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada. Apesar do avanço normativo, a maioria dos municípios brasileiros ainda depende exclusivamente da coleta convencional e do aterramento, sem qualquer etapa intermediária de aproveitamento. A lei fixou prazos para a eliminação de lixões que foram sucessivamente revisados, o que demonstra a dificuldade de implementação em escala nacional.

    Segundo análise de Marcello José Abbud, o cumprimento da legislação exige mais do que vontade política: demanda modelos operacionais que sejam viáveis para cidades de pequeno e médio porte, que representam a grande maioria dos municípios brasileiros. Sem tecnologias adaptadas à realidade local, a conformidade legal permanece como um objetivo distante para boa parte do território nacional.

    Marcello José Abbud
    Marcello José Abbud

    Os impactos dos lixões sobre as comunidades e o meio ambiente

    A presença de lixões e aterros irregulares gera passivos ambientais de longa duração. O chorume produzido pela decomposição de resíduos orgânicos contamina o lençol freático e cursos d’água próximos, comprometendo fontes de abastecimento e causando danos à biodiversidade local. Além disso, a queima informal de resíduos libera gases tóxicos que afetam a qualidade do ar e agravam doenças respiratórias nas populações vizinhas.

    Do ponto de vista social, as áreas de descarte irregular frequentemente atraem catadores em condições de vulnerabilidade extrema, sem equipamentos de proteção adequados e sem acesso a qualquer estrutura de organização cooperativa. Sob essa perspectiva, Marcello José Abbud compreende que a solução para o problema dos resíduos não pode ser pensada de forma isolada, mas precisa integrar saúde pública, geração de renda e sustentabilidade ambiental em uma abordagem única e coordenada.

    Tecnologias de tratamento como alternativa à disposição em aterros

    O desenvolvimento de tecnologias voltadas ao tratamento de resíduos sólidos urbanos abriu caminho para abordagens que vão além do simples aterramento. Entre as soluções disponíveis estão usinas de triagem e compostagem, biodigestores para aproveitamento energético de resíduos orgânicos, sistemas de coprocessamento industrial e processos termoquímicos que transformam rejeitos em energia ou subprodutos aproveitáveis. Cada uma dessas alternativas apresenta diferentes níveis de complexidade e custo operacional.

    Na avaliação de Marcello José Abbud, a escolha da tecnologia adequada depende do diagnóstico preciso da composição dos resíduos gerados em cada município, do volume produzido diariamente e da capacidade institucional local para operar e manter a solução implantada. A padronização tecnológica sem análise local tem sido um dos principais equívocos dos programas de gestão de resíduos implementados no Brasil nas últimas décadas.

    Economia circular como caminho para a valorização dos resíduos

    A transição para um modelo de economia circular redefine o papel dos resíduos no ciclo produtivo. Em vez de encarar o lixo como um problema a ser descartado, a abordagem circular propõe que cada material tenha uma destinação que preserve seu valor econômico e reduza a necessidade de extração de novos recursos naturais. Essa lógica já orienta iniciativas em países europeus e asiáticos com resultados expressivos na redução de aterros e no aproveitamento de materiais secundários.

    No Brasil, a aplicação da economia circular ao setor de resíduos sólidos urbanos ainda enfrenta obstáculos relacionados à ausência de mercados consolidados para materiais reciclados e à baixa integração entre poder público, setor privado e comunidades. Conforme pondera Marcello José Abbud, a construção desse ecossistema depende de políticas públicas consistentes, de incentivos econômicos adequados e de tecnologias que tornem o aproveitamento de resíduos financeiramente viável para os municípios.

    Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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