Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, entra no ranking mundial e reforça reputação de paraíso natural conquistada seis vezes no TripAdvisor.
Quem já viu uma foto da Baía do Sancho sabe do que se trata: água em tom de azul quase irreal, areia dourada e paredões verdes que parecem pintados à mão. Pois esse cartão-postal de Fernando de Noronha, em Pernambuco, voltou a chamar atenção internacional em julho, ao aparecer na lista “The World’s 50 Best Beaches”, que reúne anualmente as praias mais bem avaliadas do planeta. A pergunta que fica para quem nunca foi até lá é direta: o que faz esse pedacinho de arquipélago brasileiro ser tão elogiado, ano após ano, por gente que já viajou o mundo inteiro?
A resposta começa pela geografia. A Baía do Sancho fica dentro do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, na costa sudoeste da ilha principal, ao lado do famoso Mirante dos Dois Irmãos. O acesso não é dos mais fáceis: para chegar à faixa de areia, o visitante precisa descer duas escadas de metal encaixadas entre as rochas, um trajeto controlado pelo ICMBio que faz parte do circuito oficial do parque. Quem prefere um caminho mais tranquilo pode optar por chegar de barco, contornando os paredões que cercam a praia.
O reconhecimento que já virou hábito
Na edição de 2026 da “The World’s 50 Best Beaches”, a Baía do Sancho apareceu na 33ª posição do ranking, uma lista que reúne as praias mais bem avaliadas do planeta segundo especialistas e influenciadores de viagem. A publicação descreveu o destino como um exemplo de paraíso remoto e preservado, características que, segundo os organizadores, pesam bastante na hora de definir quem entra na lista.
Esse tipo de elogio, aliás, já não é novidade para quem acompanha o destino. A Baía do Sancho foi eleita a melhor praia do mundo pelo TripAdvisor em seis ocasiões diferentes, nos anos de 2014, 2015, 2017, 2019, 2020 e 2023, no tradicional ranking “Traveler’s Choice” da plataforma. Ou seja, o reconhecimento recente não é um raio em céu azul: é a continuação de uma sequência de elogios que já dura mais de uma década e que ajudou a consolidar Fernando de Noronha no roteiro de viajantes de todos os continentes.
Por que o paraíso também é um exercício de disciplina
O que poucos sabem é que boa parte do encanto da Baía do Sancho existe justamente porque o acesso é limitado e regulado. Para visitar o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, é preciso comprar um ingresso específico, com valores que giram em torno de 179 reais para brasileiros, válido por dez dias de estadia na unidade de conservação. A cobrança ajuda a custear a manutenção da área e a fiscalização que impede o excesso de visitantes na mesma faixa de areia.
Esse modelo de turismo controlado é, segundo entidades ligadas ao setor, um dos principais motivos para a praia manter a mesma beleza intocada ano após ano. Sem grandes estruturas comerciais na orla, sem filas de guarda-sóis e sem multidões, o visitante tem uma experiência bem diferente da maioria dos destinos turísticos badalados do mundo. Para o presidente do Conselho de Turismo de Fernando de Noronha, esse equilíbrio entre visitação e preservação é o que garante ao arquipélago manter sua imagem de destino sustentável, algo que pesa cada vez mais na cabeça de quem escolhe para onde viajar.
O que o visitante encontra por lá, além da praia
Um detalhe curioso é que a paisagem da Baía do Sancho muda de cara conforme a época do ano. Durante o período chuvoso, entre março e julho, pequenas cachoeiras se formam nas falésias que cercam a praia, criando um cenário ainda mais cinematográfico para quem visita nesses meses. Fora dessa janela, o visual segue com o clássico contraste entre o verde da vegetação nativa e o azul turquesa do mar, que rendeu à praia a fama internacional.
Vale lembrar que Fernando de Noronha não se resume ao Sancho. O arquipélago é formado por 21 ilhas, das quais apenas a principal é habitada, e reúne outras 15 praias, além de ruínas e monumentos que remontam ao século 18. A vida por lá gira quase inteiramente em torno do turismo, principal fonte de renda da população local, que convive diariamente com viajantes vindos de todas as partes do mundo em busca do mesmo cenário que aparece nas fotos que circulam pela internet.
Para quem está pensando em conhecer o destino, vale reforçar que planejamento é essencial. Os ingressos para o parque marinho costumam ser vendidos com antecedência, e o horário mais indicado para curtir a praia com o sol batendo direto na água costuma ser entre 8h e 10h da manhã, quando o mar também tende a estar mais calmo. Mais do que uma praia bonita, o Sancho virou uma espécie de símbolo de que é possível unir turismo de qualidade e preservação ambiental, mesmo em um mundo onde boa parte dos destinos badalados sofre com excesso de visitantes.
Fontes consultadas: Portal de Prefeitura | Mercado&Eventos | The World’s 50 Best Beaches | Radioagência Nacional

